CRISE: Reitora da UEPB rebate Governo do Estado

A Reitoria da Universidade Estadual da Paraíba divulgou nesta sexta-feira (03) uma Carta Aberta destinada a sociedade paraibana, onde esclarece a questão da Autonomia Financeira da Instituição.

Confira na Ć­ntegra a Carta:

AUTONOMIA DA UEPB

OS FATOS

Os Conselhos Superiores da Universidade Estadual da Paraíba (Consuni e Consepe), reunidos no dia 2 de fevereiro de 2012, no Campus V, em João Pessoa, em resposta à Nota Oficial do Governo do Estado da Paraíba, divulgada neste mesmo dia em toda a imprensa, sobre a questão da autonomia desta instituição, entendem essencial esclarecer à sociedade paraibana, de forma ampla e pública:

NĆ£o Ć© o Governador do Estado ou qualquer auxiliar seu quem define qual Ć© o percentual de repasse a que a UEPB tem direito. Esta nĆ£o Ć© uma decisĆ£o pessoal, nĆ£o Ć© uma opção polĆ­tica. Ɖ uma questĆ£o de cumprimento de uma lei.

HĆ” dispositivo expresso de lei, segundo o qual o orƧamento anual da UEPB nĆ£o poderĆ” corresponder a percentual inferior ao do ano anterior (art. 3°, §3°, da Lei Estadual n.° 7.643/2004). O percentual de 2011 foi de 5,77%. Esse, portanto, Ć© o percentual mĆ­nimo para o orƧamento da UEPB para o ano de 2012.

O governo tem tanta consciência de que esta é a regra de cÔlculo do orçamento, que o próprio Governador o recebeu, incorporou ao orçamento global do Estado, e o encaminhou nestes termos à Assembléia Legislativa, onde o orçamento foi aprovado, em percentual exatamente correspondente ao do ano anterior, ou seja, 5,77% da receita ordinÔria.

Levando-se em consideração a regra de que o percentual do repasse não poderia mais ser inferior a 5,77% da receita ordinÔria do mês anterior, no mês de janeiro de 2012 a UEPB deveria ter recebido R$ 27.772.986,00, tendo como base de cÔlculo, como manda a lei de autonomia, a receita ordinÔria referente ao mês anterior (dezembro de 2011). No entanto, o governo repassou apenas o valor percentual de 4,53% da receita ordinÔria. Como o governo chegou a esse percentual? Qual é a base de cÔlculo? Baseado em que orçamento? Que receita?

AlĆ©m disso, o texto legal assegura que o repasse serĆ” feito atĆ© o Ćŗltimo dia Ćŗtil de cada mĆŖs, calculado sobre, no mĆ­nimo, a receita ordinĆ”ria do mĆŖs anterior (art. 4°, I, da Lei Estadual n.° 7.643/2004), ou seja, para janeiro deste ano de 2012, a UEPB deveria receber 5,77% da receita ordinĆ”ria referente ao mĆŖs de dezembro de 2011.

Mas o governo nĆ£o agride a autonomia da UEPB apenas reduzindo o percentual a que a instituição tem direito, por forƧa de lei. Interferiu na forma de administração e gestĆ£o financeira, extinguiu a conta tesouro da Universidade, retirando a gerĆŖncia dos recursos dos órgĆ£os financeiros da instituição. Enfim, trata-se de uma verdadeira intervenção, que permite ao governo do estado subtrair ou realocar quaisquer valores disponĆ­veis nas contas da UEPB, a seu critĆ©rio, de forma arbitrĆ”ria, sem motivação e a qualquer momento. Ɖ uma prĆ”tica gerencial que representa um retrocesso e que desfigura a conquista mais importante da história da universidade, que Ć© a independĆŖncia em relação Ć s vontades governamentais.

O Governo do Estado da ParaĆ­ba tambĆ©m falta com a verdade, de forma expressa, quando afirma que transfere proporcionalmente mais recursos Ć  UEPB do que o Estado de SĆ£o Paulo Ć  USP. Ao contrĆ”rio dos 3,19% que o Governo da ParaĆ­ba anuncia, a USP recebe o percentual mensal de 5,74% da arrecadação mensal de ICMS do Estado de SĆ£o Paulo (Lei Estadual 14.185/2010, art. 4° e seguintes, Estado de SĆ£o Paulo). A comparação, alĆ©m de inoportuna e equivocada, empobrece o debate.

Os Conselhos Superiores da UEPB acreditam sempre no diÔlogo como a melhor forma de superar divergências. A correspondência oficial entre a Universidade Estadual da Paraíba e o Governo do Estado estÔ catalogada e à disposição da sociedade. Ela demonstra, livre de dúvida, que o diÔlogo não é apenas discurso, retórica, mas prÔtica desta instituição. Os sistemÔticos chamados para sensibilizar o Governador acerca da crise que se anunciava foram respondidos com uma agressão brutal à maior das conquistas em mais de 45 anos de serviços prestados por esta instituição à sociedade paraibana.

A autonomia da UEPB é uma conquista histórica, inegociÔvel e irrenunciÔvel, que exige respeito. Nesta discussão, não cabem meias-verdades.

CONSELHO UNIVERSITƁRIO - CONSUNI

CONSELHO SUPERIOR DE ENSINO PESQUISA E EXTENSƃO - CONSEPE


Ascom

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