Deu no G1: Ensolarada, Paraíba não tem adesão a estímulo de energia solar


Mesmo com grande potencial para geração de energia solar, consumidores paraibanos apenas usam placas para aquecer água (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Uma medida da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para estimular a geração doméstica de energia solar não teve nenhuma adesão no estado mais ensolarado no Brasil, a Paraíba. A resolução foi aprovada para incentivar e reduzir barreiras para essa produção de energia, dando desconto na conta de luz, caso haja produção excedente. Nenhum consumidor paraibano solicitou ligação ao sistema da concessionária de energia do estado para aproveitar o abatimento, segundo a distribuidora Energisa.


Segundo Chigueru Tiba, professor e pesquisador do grupo de Fontes Alternativas de Energia (FAE) do Departamento de Energia Nuclear da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o noroeste da Paraíba é um dos melhores lugares do Brasil em relação à incidência dos raios solares. “Cidades como Sousa e Patos têm uma radiação média anual de 20 MJ/m². Em um mês como dezembro, por exemplo, quando tem muito sol, a Paraíba tem uma incidência de 24 MJ/m² ou 26 MJ/m²”, comenta. Megajoule (MJ) é uma unidade de medida de energia, também usada para aferir a incidência de radiação solar.

Placa fotovoltaica (Foto: Krystine Carneiro/G1)
Painéis fotovoltaicos são feitos de materiais que
convertem radiação solar em eletricidade
(Foto: Krystine Carneiro/G1)
A radiação solar de 20MJ/m² é o equivalente a 5,5kw/h por metro quadrado, conforme explica o professor Tiba. Se tudo fosse convertido em energia, um metro quadrado poderia suprir uma casa que consome 150 kw/h por mês. Porém, um módulo fotovoltaico só consegue converter cerca de 15% dos raios solares. “Com um sistema de eficiência baixa, que converte apenas 10%, seriam necessários 10 m² para suprir essa casa com consumo de 150kw/h por mês, que é muito comum no Brasil”, pontua o professor.


Parte do Rio Grande do Norte e de Pernambuco também estão nessa área de grande incidência de raios solares, mas, proporcionalmente, a Paraíba tem o maior nível de radiação solar média anual do país, conforme mostra o Atlas Solarimétrico do Brasil, publicado pela UFPE, sob coordenação do professor Chigueru Tiba.

Com as novas regras da resolução da Aneel, quem tiver microgeração, com até 100 KW de potência, ou minigeração, de 100 KW a 1 MW, vai poder trocar energia com a distribuidora local por meio do Sistema de Compensação de Energia e ter descontos na conta de luz, caso haja produção excedente de energia.

Esse benefício será concedido para quem tiver pequenos geradores em sua unidade consumidora, a exemplo de painéis solares fotovoltáicos ou pequenas turbinas eólicas. Quando a geração de energia for maior que o consumo, o excedente vai ser injetado no sistema da distribuidora e o titular da unidade poderá usar o crédito como desconto nos meses seguintes, tendo um prazo máximo de 36 meses, inclusive em outras unidades que também sejam do mesmo titular.


Apesar dos incentivos, nenhum consumidor solicitou a ligação na Paraíba, segundo informações da concessionária de energia do estado, Energisa.

O professor Zaqueu Ernesto da Silva, diretor do Centro de Energias Alternativas e Renováveis da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), explica que a região da Paraíba tem entre cinco horas e meia e seis horas e meia de horas úteis de luz solar por dia. De acordo com ele, dá para gerar entre 800 e 1.000w de energia por metro quadrado com essa incidência solar. “A região do semiárido paraibano é muito indicada para a geração de energia solar”, diz.

Atlas Solarimétrico do Brasil mostra que a Paraíba está em uma área com muita radiação solar  (Foto: Reprodução/Atlas Solarimétrico do Brasil)

G1 PB

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