Crise na saúde da Paraíba: Furadeira de parede em cirurgia 'representa grave risco à saúde', alerta Anvisa
O gerente da Agência de Vigilância Sanitária da Paraíba, Ivanildo Brasileiro, disse nesta terça-feira (6) que o uso de “furadeiras de parede” em cirurgias é proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O alerta 939 diz que o uso desse equipamento representa grave risco à saúde da população e constitui infração sanitária por não possuir registro.
A declaração de Brasileiro foi feita um dia após a Associação Médica da Paraíba (AMP) denunciar a utilização do equipamento em cirurgias cranianas no Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa.
Furadeira e craniótomo
A furadeira...
...e o craniótomo
Segundo o médico Ronald Farias, da AMP, cerca de 35 pacientes por mês estariam sendo submetidos a cirurgias cranianas com o uso de furadeira comum. O equipamento correto – craniótomo – estaria quebrado há mais de um ano.
Equipes da Vigilância Sanitária estão desde esta segunda-feira (5) inspecionando o hospital, o maior da Paraíba. “Caso seja encontrada alguma irregularidade, a unidade será notificada”, disse.
De acordo com Brasileiro, até o momento o uso da furadeira nas cirurgias do Trauma não foi confirmado nem descartado. “Caso um equipamento irregular seja encontrado, faremos a apreensão imediata”, disse o gerente.
Caso no MP
A denúncia do uso de furadeiras nas cirurgias do Trauma consta na ação civil pública impetrada pelo Ministério Público Estadual (MPE), na 2ª Vara da Fazenda Pública da Capital, em João Pessoa.
Na ação também constam outras irregularidades, como superlotação. A informação foi repassada pelo promotor de Justiça João Geraldo Barbosa, autor da ação. Ele é responsável também por diversas inspeções no Trauma nos últimos meses.
De acordo com o promotor, a denúncia foi feita inicialmente pela cooperativa dos neurocirurgiões. “Dentre os problemas relatados pela cooperativa constava essa do uso da furadeira. A partir daí, dei entrada em ação denunciando essas questões”, afirmou. “O Judiciário tem conhecimento dessa denúncia. Se o médico está ou não falando a verdade, cabe à Justiça apurar”, relatou o promotor de Justiça.
Cruz Vermelha admite problema
A Cruz Vermelha, responsável pela administração do Trauma desde julho, emitiu uma nota de esclarecimento admitindo que os craniótomos estão quebrados há mais de um ano. Segundo a nota, os equipamentos foram consertados, mas não adiantou. Porém, o problema teria surgido antes do início da gestão da Cruz Vermelha.
“De qualquer maneira, já estavam contemplados para a próxima leva de manutenção – nesta semana – e, caso não venham apresentar condições para aproveitamento, estaremos providenciando a compra de novos”, disse a nota oficial, emitida pelo assessor especial de planejamento, Vitor Ferreira.
Foi dito também que, apesar do problema, foram disponibilizados três trépanos novos e duas furadeiras neurocirúrgicas para a equipe de neurocirurgias. Nenhuma reclamação dessa natureza teria sido localizada pela direção da Cruz Vermelha no Trauma.
Ontem, também em nota, o secretário de Saúde do Estado, Waldson de Souza, desmentiu as denúncias e disse que tudo não passa de perseguição política. O atendimento no Hospital de Trauma estaria transcorrendo normalmente.
UOL

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